In história Lisboa Mariana

Um nome e uma descoberta.


12 de maio de 1994. A vida era boa e pacata na cidadezinha de Araras, interior de São Paulo. Nesse dia uma garotinha de olhos azuis e cabelos loiros nascia. Sete horas e quinze minutos era a hora do nascimento. Fora esse seu primeiro contato com números. A partir daí criou-se uma implicância por eles. Sua mãe, finalmente, decidira seu nome: Mariana.

Era uma garota esperta e sorridente que chamava a atenção por tagarelar 3 horas seguidas. Desde a pronúncia de sua primeira palavra contrariou o censo comum e balbuciou "pamonha". Da primeira palavra seguiu-se a segunda e no dia seguinte agregava um vocabulário de 5.790 palavras. Claro, esse é um óbvio exagero fatídico.

Após esta introdução esclarecedora, gostaria de me apresentar apropriadamente:

Oi, meu nome é Mariana Michelon mas pode me chamar de Mari. Atualmente tenho 22 anos e moro na cidade de Araras, nasci e cresci aqui. Sou estudante de Relações Públicas, São Paulo já foi minha casa por três anos e a Escola mais maravilhosa do Brasil (Vai ECA!) meu cenário diário nesse tempo.

A pouco tempo atrás via a vida como uma montanha russa. Arriscava-me na aventura, tinha medo, frio na barriga, mas depois de um looping ou dois ( e depois de umas belas gorfadas) acabava me divertindo e logo saia atordoada da brincadeira. Acreditava que o mais mágico disso tudo era que mesmo após o turbilhão de sensações, sempre buscava outros desafios no parque de diversões da vida.

Pensava que como não tinha idade suficiente para arriscar na “vida sem limites” precisava de permissão e acompanhamento. “Filha, você já comeu? ” a mãe dizia, “Vou ensinar como se troca um chuveiro, vem aqui ” o pai convidava, “Rock sim, pagode não” ensinava o irmão. Dizeres e exemplos, sim e não, choros e abraços. Até certo ponto era natural que me sentisse assim, minha família era, sem dúvidas, meu refúgio e meu Border Collie, meu amor eterno.

Mas a vida aconteceu. Cresci (só que não) e apareci. A escola que hoje chamo de maravilhosa, foi pesadelo, a mente que amava o turbilhão de sensações perdeu-se em ansiedade, a vida empolgante na cidade grande tornou-se assustadora, a família que era refúgio parecia prisão, amar não fazia sentido. A luz de dentro? Apagou. Lá fora? Blackout. Tentei me convencer de que tudo ficaria bem, fiz minhas primeiras tatuagens, piercings e cortei o cabelo.

E adiantou por um tempo, tudo ficou bem. Consegui meu primeiro estágio e depois o segundo. Dois lugares incríveis que me fizeram crescer e me mostraram todo o potencial que eu, por mim mesma, poderia atingir. Independência financeira era um sonho e eu estava mais perto dele do que nunca. Juntei meus centavos de dois anos de trabalho, dei uma virada emocional de 360º e resolvi que era hora de me permitir. Me permitir dar um tempo. Me permitir descobrir. Me permitir encher a cara. Me permitir me apaixonar por qualquer um. Me permitir chorar e rir ao mesmo tempo. Me permitir abandonar tudo o que eu conhecia e ir para o outro lado do atlântico.

Seis meses em Lisboa foram suficientes para encontrar os amigos da minha vida, a cidade da minha vida e o mais importante, minha vida. Ser foi tão fácil. Viver foi tão fácil. Nunca tinha sido assim. Foi lindo. Minha família era um dos meus refúgios, meus amigos outro, mas o meu melhor era aqui dentro, dentro de mim mesma. Nem sempre esse universo interior está em paz, mas agora eu sei que esse estado existe e isso me conforta.


[CONTINUA...]




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