In 2014 textos antigo

Ao fim da cor


Acabei esquecendo daquela tarde em que o arco de cores revirava em minha cabeça, as possibilidades... O dia passou e recorou, revirou , tornou-se intingível. Notei algo de errado, uma gota de mim havia ido. A tinta que coloria o céu era escassa, apagava-se ao passar pelas nuvens. Apenas as lágrimas caídas deixavam marcas na branda tela quase caucasiana. Era minha alma. Um segundo e contínuas descombinações daltônicas, fragmentos sem sentido, recortes desconexos de espelhos lascados. Via enfim a malevolência, o egoísmo, a vontade de ser o que não foi. Chutava latas de tinta e elas me chutavam, outras enchotavam, expulsando-me daquele atelie pequeno e frio... Já não mais reagia. Um corpo e só. A Inspiração se foi. Foi-se a vida. Deixei-o por tempos, abandonado às teias, e engaventando os repetidos traços que não mais faziam sentido. Tudo vigiava interruptamente o vazio.

Tomou forma num dia escuro, com mãos delicadas a limpeza foi feita. O pincel quase não tocava a tela, misturava , virava , esborrachava-se, lento, l-e-n-t-o, continuamente tornou-se. A música tomou seu lugar, as deliciosas nuances de infinitas possibilidades eram traços tilintando notas. Eram conjunturadas agarrando-se umas as outras, quase em uma dependência maternal. Afligiam-se repelindo e aproximando-se numa fantástica sinfonia de cores. Os sentidos significavam, em cada receptor corporal se fez a transição. Branco. Nada. Enfim. Cor. Recorando-se. Revertendo-se.Re nova ndo-se . A tela íntima da alma foi preenchida.Título da obra: Amor.

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