In comportamento Mariana

Sobre cadernos e fardas

Blog não é mais tão usual assim, eu sei.

Mas cadernos também não são e nem por isso deixo de usá-los, aliás uso-os com todo amor que guardo em mim. Podem ser grandes, pequenos, mas aqueles de tamanho médio, sabe? Esses sim são os meus preferidos.

Capa dura, folhas pautadas ou não. Lá me perco e me encontro. Contas, pensamentos, desabafos amorosos, trackers e mais trackers, lá me controlo e descontrolo.

Capa dura, folhas pautadas ou não e com elástico. Claro, o elástico faz toda a diferença. Ele prende tudo. Fecha-se aquele livro da vida e nada se perde. Um fio composto de elastano une, prende, torna indissociável a parte do todo.

Capa dura, folhas pautadas ou não, com elástico e de tamanho médio. Aprecio cadernos, assim como divagar. Você já deve ter percebido. Aliás, quem raios divaga sobre cadernos? Acontece que divagar sobre cadernos e analisar minha relação com tais elementos mágicos escriturais revela muito mais sobre mim do que possivelmente traduziria em uma simples exposição frasal.

Do mesmo modo que contemplo o amontoado de páginas em branco de uma brochura, possuo com este exato traço que agora pisca intermitentemente em minha tela uma relação amorosa. Nesse espaço, que branco não mais deixa de ser conforme escrevo as palavras que arranjo e desarranjo, adoraria despejar todas as minhas mazelas, misérias, maravilhosidades e euforias.

Mas isso duraria um dia ou dois. Talvez três com muito afinco. Mas não importa. Tenho o hoje e este espaço será minha zona terápica do momento. E lá vamos.

Acredito que em muitos momentos de nossa infame, porém bem aproveitada vida desempenhamos papéis. Um dia filha, noutro namorada, as vezes empregada, em um terceiro empregador e assim vai. Machado de Assis em seu conto "O espelho" descreve um personagem acorrentado a sua farda, o uso desta era necessário para manter viva a alma fictícia que dominara sua alma interior. Interpretar personagens, obviamente é condição sine qua non para a vida em sociedade. Possuo filtros, meço minhas atitudes em determinados cenários, escolho o que vestir, como me portar, sou o que os outros fazem de mim.

No entanto, hoje me pergunto em que lugar dessa matemática tão exata se encaixa a vivencia da alma verdadeira? Deveria eu sucumbir e atender as demandas sociais? Simplesmente adaptar-me a elas?

Mãe te respeito, pai te venero, me nego como ser e cumpro meu papel. Não acredito em tais submissões impostas e muito menos em um descaso revolucionário proposital. Acredito em autonomia de pensamento, aquela que ainda lhe resta quando tudo se for. Quando o impositor se for, quando o mercado se for, quando o dinheiro se for...

Me revolto, obviamente. Tiraram-me algo genuíno. Perdi para o social. Mas ao tentar compreender as complexidades do universo alheio torno ao meu personagem. Visto a máscara, coloco o figurino e atuo. Me calo, me reservo, confio no invisível, enxergo o problema e a solução, porém os nego. Não tenho o poder de despir-te de sua farda. Não tenho o poder de despir-te e fim.

Eis que em mais um dia anotarei na brochura que tanto amo desvelar:
 Revelei- me e tu negaste a si.

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In comportamento Mariana

Juro, tá tudo bem sentir-se linda



Ei. Tá tudo bem se sentir linda. Ta tudo bem se amar. Ta, realmente, tudo bem.

Empoderar-se é belo. Muito belo, aliás. O poder é meu, é nosso. A lente captura o reflexo da alma e nessa empreitada de ser dona do meu próprio poder fiz essa seção de fotos e me surpreendi. Há três anos existia uma Mariana completamente diferente. Medrosa, insegura e mimada. Hoje existe uma Mariana renovada, mais consciente de si, mais equilibrada, e principalmente uma Mariana que sabe seu valor. Sim, Escolhi me amar, escolhi amar minha alma maluca e cheia de sonhos. Escolhi amar meu corpo, amar meus detalhes e estar aberta a transformações As inseguranças existem e estão mais presentes do que eu desejaria, porém nesse turbilhão que é a vida estou aprendendo a dar um tempo pra mim, dar um tempo nessa reviravolta. Um tempo para me olhar no espelho e me reconhecer. Um tempo pra pensar. Um tempo pra debater interiormente sobre meus objetivos, meus sonhos. Um tempo pra me deixar fluir. 

Hoje só quero fluir, voar e descobrir.

















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In 2014 textos antigo

Aqui e lá





Tenho 16 anos, você lá e eu aqui. Do outro lado do atlântico espero que você perceba que cresci e que me importo. 
Ligo a câmera do meu computador e um programa com nome engraçado faz minhas tardes felizes e as suas menos entediantes. Não sei se você pensou em mim quando estava lá, não sei se considerou se interessar por mim. 
Já não importa, o tempo foi passando e você mudou. Mudou mas continuou o mesmo. O mesmo coração que o meu primeiramente bateu um pouco mais forte.
Deu medo, deu esperança, deu desespero. 
Na minha casa você passava um dia, dois, três e não me olhava. Eu te olhava. Afinal, você era o melhor amigo do meu irmão. Mas eu te olhava e percebia longe, embora perto.
Decidi que era a minha vez de crescer, te pegar pela mão e dizer: "ei, estou aqui" 
E fiz. Eu te beijei levemente, mas você não me beijou, afastou. 
Afastou de mim a possibilidade de ser amada, de ser admirada, de ser reconhecida em minha peculiar aparência e personalidade. 
Seu celular tocou e entendi tudo, você não era meu, nunca foi.
Tardes felizes eram ilusões, conversas profundas eram vazias, eu apenas era insuficiente. 
Do outro lado do atlântico algo se perdeu e naquele instante, do outro lado da linha, você encontrou aquela que seria a mulher da sua vida.
Não fui eu. Nunca seria eu. Porque eu era feliz e você matava o tédio. Eu tinha 16 anos e você lá, em terras lusitanas.

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In 2014 história textos antigo

Mágica Confusão

[Now playing: In a Little While - U2] São exatamente cinco da manhã. A chuva cai lá fora torrencialmente, exceto pelo barulho não consigo notar a diferença entre as gotas incessantes e meus próprios pensamentos. É confuso, porém extremamente mágico. 
Cada palavra sobre confusão, loucura ou ansiedade torna-se comum na virtualidade do mundo que nos sucumbe. É difícil, é complicado... semântica  comum da vida jovem complexa.
Mas adivinha? Não é nada difícil, nada complicado. Sabe, é só como o mundo funciona...
Acredito que ninguém possa se acostumar zilhões de coisas acontecendo em tão pouco tempo, eu particularmente não. Tá tudo bem, vai ficar tudo bem, sabe, é só como o mundo funciona, repito para mim mesma.
Apesar das aceleradas da vida, resolvi me aquietar e deixar fluir. Entendam, sempre tenho aquela sensação de que queria que o mundo visse o que eu vi, vivesse o que eu vivi e a internet me possibilitou mostrar o que de corpo e alma experienciei.
Embora sem toda carga emocional do instante de eternidade vivido, o tal "share" pra mim adquiriu significado de retribuição, retribuir da maneira como sei - escrevendo, fotografando - o que o universo me deu e, acima de tudo, o que estava preparada para receber. Por isso retribuirei aqui à todas as pessoas que me emocionaram, me alegraram, magoaram, riram e choraram. Deixarei  em cada palavra e em cada imagem uma demonstração de afeto, pois acredito que isso muda o mundo.
Desculpe-me se isso é piegas para você, pode ser que um dia seja pra mim, mas hoje é nisso que acredito. Não tenho nenhum problema em me transformar de acordo com as possibilidades da vida, você também não deveria.
Você que passou só de bobeira pela timeline da minha vida não se acanhe, pode chegar, fuçar e até conversar se quiser, afinal de contas, nunca é demais experienciar. E você que me conhece profundamente ou suficientemente para ler o que escrevo até o fim e não se entediar, fique sempre do meu lado, por favor.
Aos meus companheiros de cerveja, companheiros de refri, amigas de vinho, parças de caipirinhas, torcedores anônimos e declarados, papás amorosos, parceiros de alma, futuros amigos de intercâmbio e etc... Só venhão. Deixem a mágica acontecer mesmo que a chuva esteja torrencialmente forte como hoje.

Retribuição 1 - Feita.

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In 2014 textos antigo

Jornada da alma


Éramos em 3. A casa era apertada, desajeitada e cheia de remendos. A vida passava e continuávamos ali, estagnados estaticamente sem concordância .
Um dia a primeira parte de mim desvencilhou-se. Resolveu simplesmente partir. Era frágil, pequena, blanca e clamava por risos. Via em si toda a cheiura que jamais vira em nada. A casa diminuta era sua carapaça claustrofóbica. Atordoou-se e deixou-nos. A linha pontilhada tracejou, seu rumo foi tomado.

Corria desesperadamente num dia escuro. A segunda parte de mim acabara percebendo que a brisa esvaiu-se. Em seu rosto haviam anos, embora desapercebesse o que nestes havia passado.Correu até seus cabelos se congelarem com a brisa insensível. O desconhecimento atrelado a confusão de inseguranças desprendiam-na da existência.

Calada, parara. Ali aos pés do Salgueiro. Encolhera-se. Sem dizer ainda uma palavra, pensava no ar que não respiraria, no mundo que não sentiria. Desejou se jogar do mais alto penhasco e soprar na mesma obtusa, aguda imensurável frequência do vento. Num passo desceu ao fim e ascendeu para o início. A linha pontilhada se curvou, seu rumo foi tomado.

Desde a última partida passaram-se anos. A paisagem era a mesma. Paredes e mais paredes, por fim um infinito labirinto de espelhos refletindo vertentes de si mesma. Ficara desse modo solitária. Era a terceira parte que restara. Distorcia e retorcia, a imagem que via no reflexo imperava os mais profundos paradoxos mentais. De nada adiantara. Estava sozinha. Ficara apenas com os dotes deixados por suas vagantes partes. Percebeu sua inutilidade e começou a cantarolar para suprir a falta de sua vontade de sonhar e sua derradeira insuficiência pelo sentir. Quando menos percebeu, foi-se.

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In 2014 textos antigo

Ao fim da cor


Acabei esquecendo daquela tarde em que o arco de cores revirava em minha cabeça, as possibilidades... O dia passou e recorou, revirou , tornou-se intingível. Notei algo de errado, uma gota de mim havia ido. A tinta que coloria o céu era escassa, apagava-se ao passar pelas nuvens. Apenas as lágrimas caídas deixavam marcas na branda tela quase caucasiana. Era minha alma. Um segundo e contínuas descombinações daltônicas, fragmentos sem sentido, recortes desconexos de espelhos lascados. Via enfim a malevolência, o egoísmo, a vontade de ser o que não foi. Chutava latas de tinta e elas me chutavam, outras enchotavam, expulsando-me daquele atelie pequeno e frio... Já não mais reagia. Um corpo e só. A Inspiração se foi. Foi-se a vida. Deixei-o por tempos, abandonado às teias, e engaventando os repetidos traços que não mais faziam sentido. Tudo vigiava interruptamente o vazio.

Tomou forma num dia escuro, com mãos delicadas a limpeza foi feita. O pincel quase não tocava a tela, misturava , virava , esborrachava-se, lento, l-e-n-t-o, continuamente tornou-se. A música tomou seu lugar, as deliciosas nuances de infinitas possibilidades eram traços tilintando notas. Eram conjunturadas agarrando-se umas as outras, quase em uma dependência maternal. Afligiam-se repelindo e aproximando-se numa fantástica sinfonia de cores. Os sentidos significavam, em cada receptor corporal se fez a transição. Branco. Nada. Enfim. Cor. Recorando-se. Revertendo-se.Re nova ndo-se . A tela íntima da alma foi preenchida.Título da obra: Amor.

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In 2014 textos antigo

Devaneios do acaso traçado.


​Aqui, bem quietinha, em meio a essa imensidão alaranjada vejo novamente o que outrora havia se apagado com a escuridão da angústia e da incerteza. Um dia ouvi dizer que somos reflexos daquilo que escolhemos. Más escolhas, trazem-nos infortúnios e boas escolhas e atitudes nos dão paz de espírito e nos deixam em harmonia com o mundo ao nosso redor. Confesso que muitas vezes passei por dificuldades insuperáveis, aliás, aparentemente insuperáveis, porém, com algum esforço pude observar que apesar desses acontecimentos "catrastóficos" o mundo ainda estava lá, inteiro e pronto para ser transformado por mim. O amor, a compaixão e o altruísmo eram minha chave para a felicidade. Mas como poderia ajudar e abeçoar outras vidas se nem mesmo eu acreditava ser digna de ajuda?  
Vou explicar - pra mim mesma- algumas coisinhas: Nasci aqui, nessa cidadezinha chamada Araras. Cresci e tentei fazer o melhor com a minha vida. No colégio sofria, mas era autêntica. Era gordinha, mas falava o que pensava. Na infância tudo parece possível, a vida é uma incógnita e os dias que passam são REALMENTE vividos.
Cresci um poquinho. Encontrei o teatro, assim como um pedacinho de mim. Quando subi naquele palco italiano senti meu corpo todo vibrar numa misura de medo e alegria. Minhas pernas tremeram e queria dançar. O arrepio veio em seguida subindo por cada vértebra da minha coluna. Foi Fantástico. Ali eu fazia a diferença. Ali eu era vista e podia transmitir ao mundo a vida. Puf. Fim da ilusão.
Dar mensagens para um mundo ingrato? Que cobra somente a seriedade? Que pressiona pessoas a ganharem notas de papel em vez de ganhar cartas de carinho? Vi, pintei, rabisquei, risquei e rasguei aquele mundo moribundo que me deixava tão confusa. A vida virou de cabeça pra baixo. Nada me fazia especial. Eu não poderia ser especial. Por que seria? Então, passei anos tentando ser a melhor em tudo, quando na verdade nadica de nada me fez "especial" não passava de uma simples "Ela é esforçada". De fake boazuda passei a miss empty. Empty. Vazia. O espelho não me dizia respeito.

Como em um pesadelo mergulhei em um rio escuro enroscando-me na correnteza. Simples assim. Quando se está coberto pela água o simples ultrapassa a noção de complicado. Chega a ser desesperador, para não dizer impossível de se salvar.
Foi ai que meus olhos foram se abrindo aos poquinhos. Um anjo me resgatou da correnteza e me trouxe para a margem onde, finalmente, consegui respirar. Respirei junto a primeira brisa que atingiu meu rosto. MMM... FFFF. Deus estava ali, como sempre. Ali mesmo, na brisa, na correnteza, na grama, no sorriso, no gesto, na alegria, no conforto, no amor, na criança, nos olhos marejados, nas caretas, nas gargalhadas, no assobio, no canto dos pássaros, na batida do meu coração. MMM...FFFF. Em mim. Deus vivia em mim como eu.
​Algo, de repente, me fez observar cada atitude e encontrar algo bom. Não. Não era o meu forte. Definitivamente. E ainda é meu maior desafio encontrar uma lágrima de alegria na chuva. Mas Deus age misteriosamente. Cada obstáculo estava lá por um motivo que não esperava.
Incrível como eu costumava a entitular esse enigma milimetricamente planejado como Serendipidade (Serendipity), algo parecido com o destino. Mesmo tendo percebido isso nos meus anos dourados da adolescência, após encontrá-lo, descobri que Deus é o autor dessa tal "serendipidade". Ele vem e sussurra todos os dias "Psiu! Eu estou em todas as coisas, controlo tudo o que você não pode... Por favor, confie em mim." 
Confesso. Houve dias em que não acreditei nele e perguntei "Por que comigo?". Houve dias em que me odiei tanto que não me via como merecedora de viver. Hoje, envergonho-me de ter duvidado daquele que escreveu cuidadosamente minha história, daquele que me viu chorar e carinhosamente me deu forças para rir de novo, daquele que amou enquanto eu me odiei.
E é por esse caminho turbulento de encontros e desencontros que agradeço ao meu autor por ter sido escolhida como uma de suas personagens para viver essa misteriosa história de amor. Misteriosa, pois as dicas que resolvem o enigma da existência estão escondidas. Cada emoção, sensação e ação humana guarda uma pista para felicidade. Mas, psiu! O enigma só será revelado quando os olhos da alma se abrirem para o real sentido da vida: O amor. Eu acredito nisso e sempre vou.

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